A gastronomia paraense é feita de histórias que atravessam gerações. Técnicas de preparo, ingredientes amazônicos e receitas de família ajudam a construir uma cozinha fortemente ligada à cultura e à identidade do Pará. Nessa trajetória, as mulheres têm papel fundamental e ocupam cada vez mais espaço também como chefs, pesquisadoras, professoras e empreendedoras.
Da cozinha popular do Ver-o-Peso aos restaurantes autorais, diferentes gerações de mulheres ajudam a manter vivas tradições enquanto encontram novas maneiras de trabalhar ingredientes e sabores regionais.
As experiências são as mais diversas. Há quem tenha encontrado na própria família o primeiro contato com a cozinha, quem tenha seguido pela pesquisa de ingredientes regionais e quem transforme referências tradicionais em pratos contemporâneos. Caminhos diferentes que se encontram na valorização da culinária amazônica.
Saberes que atravessam gerações
Na gastronomia paraense, muitas histórias começam dentro de casa. Receitas, técnicas e modos de preparo passam de uma geração para outra e, em alguns casos, acabam se transformando também em profissão.
É o caso de Daniela Martins, que traz na trajetória a influência da avó Anna Maria e do pai, Paulo Martins, e trabalha com o resgate de pratos tradicionais e novas leituras da culinária regional.

No Ver-o-Peso, Lúcia Torres representa outra face dessa história. Com mais de 40 anos de trajetória, a boieira se tornou uma referência da cozinha popular paraense e fez dos sabores tradicionais uma marca de seu trabalho.

Histórias como essas mostram que muito do que hoje chega aos restaurantes e ganha novos públicos nasceu de conhecimentos preservados no cotidiano e compartilhados ao longo do tempo.
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Tradição também pode significar transformação
Mas preservar a gastronomia amazônica não significa manter suas receitas paradas no tempo. Ingredientes, técnicas e sabores conhecidos dos paraenses também ganham novas combinações e apresentações nas mãos de uma geração que aposta na criatividade sem perder a conexão com a cozinha regional.
Grace Benitez é um exemplo desse movimento. Com uma trajetória de mais de quatro décadas, a chef alia a experiência profissional à pesquisa da gastronomia amazônica e à valorização dos ingredientes regionais.

Narinha Tabosa segue outro caminho dentro desse mesmo cenário, aproximando ingredientes locais, cozinha criativa e sustentabilidade. Em seus pratos, referências paraenses aparecem em propostas contemporâneas, mostrando como tradição e inovação podem dividir a mesma mesa.

É nesse encontro entre o que foi aprendido, preservado e reinventado que a gastronomia paraense continua se transformando e ampliando o espaço ocupado pelas mulheres dentro e fora das cozinhas.
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