As canetas emagrecedoras à base de semaglutida, que ganharam destaque no tratamento da obesidade e do diabetes, podem ter um novo benefício em investigação. Um estudo publicado na revista científica Nature Communications aponta que o medicamento pode contribuir para desacelerar o envelhecimento biológico, ampliando a lista de efeitos que vêm sendo estudados para a substância.
Segundo a pesquisa, este é o primeiro ensaio clínico randomizado a encontrar evidências de que a semaglutida pode reduzir a velocidade do envelhecimento do organismo. O estudo acompanhou 84 adultos vivendo com HIV durante 32 semanas. Embora o objetivo inicial fosse avaliar a redução da gordura visceral, os pesquisadores também analisaram amostras de sangue para medir a chamada idade epigenética, um indicador que estima o ritmo do envelhecimento celular.
De acordo com o endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)- Regional Pará, Rubens Tofolo, o medicamento foi um divisor de águas na medicina moderna, com impacto na expectativa e na qualidade de vida dos pacientes. Em entrevista à LiV, o especialista também destacou a importância do paciente manter hábitos saudáveis.
“As pessoas querem perder muito peso em pouco período de tempo. A gente tem visto muitos problemas justamente por causa disso porque, hoje, as pessoas querem só tomar a medicação e não fazer atividades físicas, nenhum tipo de alimentação saudável e acabam não ingerindo os nutrientes, o que causa uma deficiência muito grande de vitaminas.
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O que mostrou a pesquisa
A idade biológica é diferente da idade cronológica. Em vez de considerar apenas os anos de vida, ela utiliza marcadores presentes no DNA para indicar como o organismo está envelhecendo e se esse processo ocorre de forma mais rápida ou mais lenta do que o esperado.
Foi justamente nesses marcadores que surgiram os principais resultados. Em comparação com os participantes que receberam placebo, o grupo tratado com semaglutida apresentou uma desaceleração consistente do envelhecimento biológico. Em um dos parâmetros analisados, a velocidade desse processo foi cerca de 9% menor após oito meses de tratamento.
Os pesquisadores também identificaram melhora em indicadores relacionados à inflamação e em marcadores associados ao envelhecimento de órgãos como cérebro e coração. Ainda não está claro, porém, se esse efeito ocorre em razão da redução da gordura visceral, que está ligada à inflamação crônica, ou se a semaglutida atua diretamente nos mecanismos envolvidos no envelhecimento celular.

Resultados ainda são preliminares
Apesar dos achados, os próprios autores destacam que os resultados devem ser interpretados com cautela. A análise sobre envelhecimento foi realizada posteriormente e não fazia parte do objetivo principal da pesquisa. Além disso, o estudo envolveu um número reduzido de participantes, todos vivendo com HIV, condição que pode acelerar o desgaste celular.
Por isso, ainda não é possível afirmar que o mesmo efeito aconteceria na população em geral ou considerar a semaglutida um medicamento voltado à longevidade. Ainda assim, a pesquisa reforça o interesse crescente da comunidade científica em investigar medicamentos capazes de retardar o envelhecimento biológico e ampliar a qualidade de vida ao longo dos anos.
