Um ano após a morte de Giorgio Armani, a maison italiana começa a executar uma transição cuidadosamente desenhada pelo próprio fundador. O grupo prepara a venda de uma participação de 15% do capital, prevista em seu testamento, ao mesmo tempo em que promove a primeira nomeação de um estilista de fora da família para a direção criativa da Emporio Armani.
A participação deverá ser negociada entre 12 e 18 meses após a morte de Armani, ocorrida em setembro de 2025. Segundo o Financial Times, o grupo deve iniciar nas próximas semanas conversas com LVMH, L'Oréal e EssilorLuxottica, indicadas no testamento como potenciais compradores. A fatia poderá ser dividida entre mais de um investidor.
O plano sucessório prevê uma segunda operação em três a cinco anos, com a venda de 30% a 54,9% do grupo ao mesmo investidor ou a abertura de capital. A Fundação Giorgio Armani deverá preservar pelo menos 30,1% da companhia, mantendo uma posição relevante na estrutura acionária. Em 2025, o grupo registrou faturamento de € 2,19 bilhões.

Na criação, a mudança também marca uma nova etapa. Dario Vitale foi nomeado diretor criativo da Emporio Armani e dos acessórios da Giorgio Armani, tornando-se o primeiro profissional de fora da família a assumir essa posição. Com quase 15 anos de trajetória na Miu Miu e uma passagem recente pela Versace, Vitale fará sua estreia nas passarelas no início de 2027.
A transição, no entanto, preserva parte da estrutura criativa construída por Armani: Silvana Armani, sobrinha do fundador, continua à frente das coleções femininas, enquanto Leo Dell'orco permanece responsável pelas masculinas. A coincidência entre a estreia de Vitale e o período previsto para a conclusão da primeira etapa do plano sucessório dá à temporada de 2027 um significado particular para o futuro da maison.
