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Conheça Daniel Santos, governador eleito do Pará: do Maranhão ao Governo do Estado
Nascido em Açailândia (MA), Daniel foi médico, prefeito, e agora governador eleito no primeiro turno
05/10/2026, 15:20 - Por:
Igor Wilson
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Daniel Barbosa Santos tinha 26 anos quando entrou pela primeira vez em uma urna como candidato. Quatorze anos depois, aos 40, chega ao cargo mais importante de sua carreira política: neste domingo (4), foi eleito governador do Pará no primeiro turno, com 51,36% dos votos válidos. A vitória encerra uma trajetória construída quase inteiramente em Ananindeua, município da Região Metropolitana de Belém que serviu como ponto de partida e principal base eleitoral do novo governador.
Natural de Açailândia, no Maranhão, Daniel mudou-se com a família para Dom Eliseu, no Pará, ainda criança, onde ficou até por volta de seus 14 anos,quando mudou-separa Belém para continuar os estudos. Na capital, formou-se em Medicina pela Universidade do Estado do Pará (Uepa) e posteriormente se especializou em ginecologia e obstetrícia. Foi trabalhando como médico que estabeleceu sua ligação profissional com Ananindeua, cidade que acabaria se tornando o centro de sua vida pública.
Daniel Santos ganhou popularidade exercendo a medicina em Ananindeua (Blog do Dr Daniel)
A entrada na política ocorreu em 2012. Filiado ao PSDB, Daniel foi eleito vereador de Ananindeua com 4.445 votos. Quatro anos depois, voltou às urnas e ampliou expressivamente sua votação: recebeu 12.675 votos e assumiu também a presidência da Câmara Municipal da cidade. A experiência no Legislativo municipal abriu caminho para uma carreira política de nível estadual.
Em 2018, Daniel disputou uma vaga na Assembleia Legislativa do Pará. Recebeu 113.588 votos, a maior votação daquele ano para deputado estadual no Estado. No início de 2019, chegou à presidência da Alepa, ampliando seu capital político e sua proximidade com o então governador Helder Barbalho, que havia sido eleito para o primeiro mandato no Executivo estadual naquele ano.Foi nesse período que começou a se consolidar a aliança que, alguns anos depois, seria desfeita.
A aliança com os Barbalho
Barbalho e Daniel: aliança não durou muito tempo (Alepa)
Em 2019, Daniel deixou o PSDB e ingressou no MDB, partido de Helder Barbalho. No ano seguinte, tornou-se candidato à Prefeitura de Ananindeua pelo partido e contou com o apoio do então governador. A eleição de 2020 representou seu primeiro salto para o Executivo: Daniel venceu no primeiro turno com 152.352 votos, equivalentes a 67,70% dos votos válidos.
A aliança fazia sentido dentro do desenho político daquele momento. Helder havia sido prefeito de Ananindeua entre 2005 e 2012 e conhecia o peso eleitoral da cidade, a segunda mais populosa do Pará. Daniel, por sua vez, chegava à prefeitura depois de uma ascensão rápida, que havia passado pela Câmara Municipal e pela Assembleia Legislativa.
Na prefeitura, seu nome ganhou uma dimensão diferente. A administração começou em janeiro de 2021, em meio aos efeitos da pandemia de covid-19, e concentrou investimentos em áreas como infraestrutura, saúde, educação e urbanização.
O desempenho eleitoral acompanhou a projeção administrativa. Em 2024, após conflitos internos com a legenda, Daniel deixou o MDB e filiou-se ao PSB para disputar a reeleição à prefeitura de Ananindeua. Recebeu 229.930 votos, ou 83,48% dos válidos, e derrotou o candidato do MDB, Antônio Doido, que terminou com 8,38%.
A troca de partido, entretanto, não foi apenas uma mudança de legenda. Representou o rompimento político com o grupo que o havia ajudado a levar à prefeitura quatro anos antes. Um forte indicativo de que Dr. Daniel já pensava em concorrer ao governo estadual contra os Barbalho.
Uma campanha de confronto
A disputa entre Daniel e Hana dominou a eleição para o governo do Pará. Durante boa parte da campanha, os dois apareceram próximos nas pesquisas, e a definição do resultado só veio nas urnas. No fim, Daniel obteve 2.345.721 votos, ou 51,36% dos válidos, contra 46,53% de Hana. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a eleição no primeiro turno por volta das 21h.
A campanha foi marcada por ataques, representações na Justiça Eleitoral e acusações dos dois lados. Um dos episódios mais controversos ocorreu em agosto, quando circulou nas redes sociais um suposto vídeo íntimo envolvendo Daniel. A Justiça Eleitoral determinou que a Meta retirasse as publicações do ar e fornecesse informações para identificar os responsáveis pela divulgação. A decisão não entrou no mérito sobre a autenticidade do conteúdo.
O próprio Daniel atribuiu a divulgação a uma tentativa de ataque político, enquanto a campanha de Hana não incorporou o episódio à sua estratégia eleitoral. O caso, no entanto, permaneceu no debate público durante a campanha.
Outro capítulo envolveu a administração de Ananindeua. Em agosto de 2025, quando ainda era prefeito, Daniel foi alvo da Operação Hades, conduzida pelo Ministério Público do Pará para investigar suspeitas de fraudes em licitações e corrupção. Ele chegou a ser afastado de forma cautelar, mas o Superior Tribunal de Justiça suspendeu a medida no dia seguinte.
A investigação permaneceu em curso. Em março de 2026, o Supremo Tribunal Federal rejeitou o pedido da defesa de Daniel para estender à Operação Hades uma decisão que havia anulado a chamada Força-Tarefa Ananindeua. Segundo o STF, as investigações da Hades haviam começado antes da criação da força-tarefa e estavam submetidas a controle judicial. Daniel nega irregularidades e afirma ter sido alvo de perseguição política.