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Vale a pena fazer um empréstimo durante uma crise financeira?

Inflação, aumento do custo de vida, queda na renda e despesas inesperadas podem comprometer o orçamento de empresas e famílias. Nesse cenário, o empréstimo pode ser uma alternativa para reorganizar as finanças e aliviar o aperto no caixa. Mas, em quais situações recorrer ao crédito pode ajudar na reorganização financeira e quando é preciso ter mais cautela? 

Em entrevista à LiV, o contador e especialista em educação financeira, André Charone, esclareceu as principais dúvidas sobre o tema. Segundo ele, compreender o contexto financeiro e o objetivo do empréstimo é um dos primeiros passos para entender se essa escolha faz sentido.

“Recomenda-se que o empréstimo seja utilizado para situações pontuais. Ou seja, em caso de você precisar pagar uma dívida de emergência e não ter a reserva de emergência necessária ou, de repente, para fazer o investimento visando o futuro com parcelas que vão caber no bolso ou, ainda, para você quitar dívidas que têm juros maiores. Essas situações pontuais são interessantes para fazer o empréstimo. Não é recomendável fazer o empréstimo e utilizar esse empréstimo como muleta, como se fosse uma outra fonte de renda”, afirma o especialista.

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Quando o crédito exige cautela 

Para André Charone, antes de recorrer ao crédito é necessário entender se a situação realmente exige endividamento. Isso porque decisões tomadas por impulso ou em busca de soluções rápidas podem trazer custos maiores no médio prazo.

“Não é recomendado fazer empréstimos para despesas pessoais que não sejam essenciais. Também é preciso ter cuidado com os créditos mais fáceis, que costumam ter os juros mais altos, como o cheque especial”, recomenda Charone. 

Segundo ele, existem situações em que recorrer ao crédito pode funcionar como ferramenta de reorganização financeira, especialmente quando a alternativa evita juros mais altos ou ajuda a preservar o orçamento no curto prazo.

Quando a dívida faz sentido

Nem todo empréstimo ou endividamento é prejudicial. Em alguns casos, o crédito pode ser uma ferramenta de planejamento financeiro e ajudar a alcançar objetivos que tragam retorno no futuro. Em outros, quando usado para cobrir gastos inesperados, pode comprometer ainda mais o orçamento. Segundo André, a diferença está na finalidade do empréstimo e na capacidade de manter o pagamento das parcelas ao longo do tempo.

Na avaliação do especialista, o principal sinal de alerta aparece quando o crédito deixa de estar associado a um plano e passa a ser usado para sustentar decisões impulsivas ou cobrir despesas que não foram previstas.

“O crédito que vai realmente prejudicar o seu patrimônio, que vai consumir o seu patrimônio, é aquele feito no impulso. Por exemplo, você foi comemorar que o Brasil ganhou a Copa e acabou gastando mais do que devia, entrou no cartão de crédito e não conseguiu pagar. Você fez uma viagem, se empolgou muito, foi gastando e não entrou no seu orçamento, teve que entrar no rotativo do cartão”, alerta André.

Como reduzir riscos de endividamento

Para reduzir esse risco, o especialista destaca a importância do planejamento financeiro e da construção de uma reserva para imprevistos, diminuindo a necessidade de recorrer ao crédito em momentos de maior pressão financeira.

“O ideal é que, antes de recorrer ao empréstimo, você tenha feito o seu orçamento, o seu planejamento familiar financeiro e crie a sua reserva de emergência. Essa reserva de emergência é um valor que você vai deixar em uma aplicação de renda fixa, bem segura, e que você vai usar no caso de emergências para não ter que recorrer a crédito. Então, a dica é se organizar mesmo. A organização é a chave de tudo”, destaca André Charone.

Cuidados antes de recorrer a um empréstimo

1. Entenda para onde o dinheiro está indo

Mapear gastos ajuda a identificar se o problema é pontual ou recorrente e evita decisões por impulso.

2. Considere os imprevistos

Antes de assumir parcelas, avalie como manter o pagamento em cenários de mudança de renda.

3. Preserve sua saúde financeira

Evite assumir dívidas ou emprestar crédito sem planejamento.

4. Acompanhe o cartão de crédito

Monitorar gastos ao longo do mês reduz o risco de perder o controle da fatura.

5. Revise os pequenos gastos

Compras por impulso e despesas recorrentes podem pesar mais no orçamento do que parecem.