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Mentira compulsiva existe? O que a ciência revela sobre a mitomania

Você costuma mentir por diversão? Estudos realizados por pesquisadores da Texas Woman’s University e da Angelo State University, publicados na Current Psychology, apontam que a maioria das pessoas mente pouco no dia a dia, enquanto um grupo pequeno concentra grande parte das mentiras.  

Segundo o estudo, em alguns casos, porém, a mentira deixa de ser pontual e passa a ser frequente, persistente e difícil de controlar (quadro descrito como mentira compulsiva ou mitomania). Embora não seja um diagnóstico formal, o fenômeno é reconhecido por especialistas como um comportamento que pode causar sofrimento psicológico e prejuízos nas relações.

A principal diferença em relação à mentira comum está no controle. Em entrevista ao G1, o psicanalista e professor titular em psicanálise e psicopatologia do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Christian Dunker, explicou que a mentira habitual tem intenção e objetivo claros, enquanto na compulsiva a pessoa perde o controle e passa a mentir de forma repetitiva, muitas vezes sem ganho evidente.

De acordo com especialistas, ao contrário da mentira comum, normalmente usada para evitar punições ou obter vantagens, a mitomania envolve mentiras frequentes e desnecessárias. Além disso, a mentira compulsiva geralmente não é um transtorno isolado, mas um sintoma de outros quadros psicológicos, funcionando como um sinal de alerta.

Pesquisas indicam que mentir é mais comum na infância e adolescência e tende a diminuir na vida adulta. Quando isso não ocorre, o padrão pode ser considerado atípico. Um estudo do Journal of Adolescence mostra que cerca de 5% das pessoas mantêm níveis elevados de mentira ao longo da vida, grupo associado a impulsividade, comportamento manipulador e maior risco de envolvimento com crimes e uso de substâncias.

A mitomania também costuma estar ligada a outros transtornos mentais, como os de personalidade, além de ansiedade e depressão. Não há uma causa única para o comportamento. Fatores como baixa autoestima, necessidade de atenção e dificuldade em lidar com frustrações estão entre os mais citados. A mentira pode ainda funcionar como uma forma de sustentar uma identidade, criando narrativas sobre si mesmo.

Apesar de o mentiroso compulsivo geralmente saber que está mentindo, a repetição pode confundir a percepção da realidade, misturando fatos e fantasias.

Os impactos incluem perda de credibilidade, rompimento de vínculos, isolamento social e maior risco de ansiedade e depressão. Em casos extremos, a pessoa pode construir uma “vida paralela” baseada em mentiras.

O tratamento é possível, com acompanhamento psicológico e, em alguns casos, psiquiátrico, mas exige avaliação cuidadosa para diferenciar o comportamento ocasional de um padrão persistente.