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Negócios: burocracia no Brasil trava empresas, reduz competitividade e desafia empresários, avalia Isan Anijar

Empreender no Brasil significa muito mais do que desenvolver produtos, conquistar clientes ou buscar crescimento. Antes mesmo de pensar em inovação ou expansão, empresários de todos os portes precisam enfrentar um obstáculo histórico: a burocracia. A combinação entre excesso de normas, elevada carga tributária, legislação complexa, insegurança jurídica e processos administrativos demorados continua sendo um dos principais fatores que reduzem a competitividade das empresas brasileiras. Estudos recentes mostram que essa percepção é compartilhada pela grande maioria dos empresários do país, enquanto lideranças empresariais defendem reformas estruturais para tornar o ambiente de negócios mais simples e previsível.

Segundo o consultor de negócios Haroldo Matsumoto, a burocracia rouba tempo, energia, dinheiro e competitividade do empresário brasileiro. De acordo com ele, o empresário brasileiro gasta 1. 958 horas por ano só para cuidar de burocracias, energia que poderia ser usada para o negócio. "O Brasil é recordista em tempo gasto pelas empresas para pagar impostos. E há uma obrigação por lei para usar espaços para guardar milhões de folhas de papel todos os meses", diz ele.

Burocracia é uma das maiores barreiras ao crescimento das empresas

Segundo uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), realizada em parceria com o SPC Brasil e o Sebrae, 88% dos empresários brasileiros consideram que os custos e a burocracia representam uma barreira para o crescimento das empresas. Entre os principais entraves apontados estão os juros elevados (44%), o excesso de burocracia para abrir, manter ou fechar empresas (34%) e a alta carga tributária (32%).

Outro levantamento da própria entidade mostra um cenário ainda mais contundente: 96% dos empresários afirmam que a carga tributária e a complexidade do sistema tributário dificultam o desenvolvimento dos negócios. Na prática, isso significa que parte significativa do tempo e dos recursos das empresas é direcionada para atender exigências legais, fiscais e administrativas, reduzindo investimentos em inovação, expansão e geração de empregos.

O custo invisível da burocracia

Embora muitas vezes seja associada apenas ao preenchimento de documentos, a burocracia produz impactos muito mais amplos sobre a atividade empresarial. Segundo especialistas, a multiplicidade de regulamentações, a exigência de extensa documentação, a falta de integração entre órgãos públicos e a constante atualização das normas aumentam os custos operacionais e tornam o ambiente de negócios menos previsível.

Além disso, procedimentos demorados podem atrasar investimentos, dificultar contratações, ampliar riscos jurídicos e reduzir a capacidade de resposta das empresas às mudanças do mercado. "Para pequenos e médios empresários, que normalmente possuem equipes reduzidas, esse impacto costuma ser ainda mais significativo", avalia Isan Anijar, presidente da Associação Comercial do Pará (ACP) e da Feira Pará Negócios.

Insegurança jurídica também preocupa o setor produtivo

Além da burocracia administrativa, representantes do setor empresarial chamam atenção para outro desafio: a insegurança jurídica. Em entrevista ao Portal LiV, o presidente da ACP, Isan Anijar, destacou que a previsibilidade das regras é um fator decisivo para estimular investimentos e fortalecer a economia.

Segundo ele, empresários precisam atuar em um ambiente no qual as normas sejam claras, estáveis e aplicadas de maneira uniforme, reduzindo incertezas que comprometem decisões de longo prazo.

"Existe muita burocracia ainda na atividade empresarial brasileira. O empresário não consegue se entender com seu advogado, seu contador. . . Há uma insegurança jurídica, com as mudanças das leis, dos regulamentos. . . São mais de mil mudanças em apenas um ano, e o empresário tem de se adequar a isso. Mal o advogado e o contador conseguem entender essas mudanças rápidas, imagine o empresário ou o microempresário. Precisamos de mais segurança jurídica! A carga tributária, por exemplo, vai aumentar agora. O empresário já vai pagar na fonte o imposto, e isso vai impactar consideravelmente nas empresas", avalia Isan Anijar.

Na avaliação da ACP, melhorar o ambiente regulatório é fundamental para aproveitar o novo ciclo econômico vivido pelo Pará, impulsionado por investimentos, infraestrutura e pela preparação que foi feita para a COP30, que ocorreu em Belém.

Quando a burocracia deixa de ser controle e passa a ser obstáculo

Especialistas ressaltam que processos regulatórios são necessários para garantir segurança jurídica, fiscalização e proteção da sociedade. O problema surge quando a complexidade supera a eficiência.

Nesse cenário, empresários precisam manter estruturas inteiras dedicadas exclusivamente ao cumprimento de exigências legais e tributárias, elevando custos administrativos e reduzindo produtividade.

A burocracia também afeta diretamente o tempo de abertura de empresas, obtenção de licenças, regularização documental, contratação de funcionários e cumprimento de obrigações fiscais.

Tecnologia e simplificação podem reduzir impactos

Embora reformas estruturais dependam do poder público, especialistas apontam que as próprias empresas podem adotar estratégias para reduzir parte dos impactos burocráticos.

Entre elas estão:

  • digitalização e automação de processos;
  • investimento em sistemas de gestão e compliance;
  • capacitação constante das equipes;
  • acompanhamento das mudanças regulatórias;
  • assessoria especializada nas áreas tributária e jurídica;
  • participação em entidades empresariais para acompanhar discussões sobre políticas públicas;

Ambiente de negócios mais competitivo depende de reformas

O debate sobre a redução da burocracia ganhou força nos últimos anos em razão da necessidade de aumentar a competitividade do Brasil e atrair investimentos.

Para entidades como a ACP, simplificar processos administrativos, reduzir custos regulatórios, ampliar a segurança jurídica e tornar a legislação mais previsível são medidas que podem favorecer o empreendedorismo, estimular novos investimentos e fortalecer o crescimento econômico.

Enquanto essas mudanças avançam, empresários continuam convivendo diariamente com um cenário em que administrar o próprio negócio significa também dedicar tempo significativo ao cumprimento de exigências burocráticas — uma realidade que ainda representa um dos principais desafios para quem produz, investe e gera empregos no país.