Um amplo estudo com quase 125 mil mulheres revelou que a menopausa está associada a alterações importantes no cérebro, piora do sono e maior incidência de sintomas de ansiedade e depressão. A pesquisa, publicada pela plataforma The Conversation Brasil, que reúne acadêmicos e jornalistas para produzir conteúdos baseados em pesquisas científicas, transformando evidências acadêmicas em textos acessíveis ao público geral, se baseia em dados do UK Biobank, um dos maiores bancos de informações genéticas e de saúde do mundo, que reúne dados de cerca de 500 mil pessoas.
O estudo também investigou se a terapia de reposição hormonal (TRH), frequentemente utilizada para aliviar sintomas do período, tem impacto sobre a saúde cerebral e mental. Os resultados indicam que, embora a terapia possa trazer algum benefício cognitivo específico, ela não impede mudanças estruturais no cérebro.
De acordo com o estudo, a menopausa é um período de transição marcado por mudanças físicas e psicológicas significativas. Além de sintomas conhecidos como ondas de calor e distúrbios do sono, muitas mulheres relatam dificuldades cognitivas, incluindo problemas de memória, atenção e linguagem.
Para entender melhor esses impactos, os pesquisadores dividiram as participantes em três grupos: mulheres na pré-menopausa, na pós-menopausa e na pós-menopausa que utilizavam terapia de reposição hormonal. A idade média da menopausa foi de aproximadamente 49 anos, mesma faixa etária em que, em geral, as usuárias iniciaram a TRH.
Os resultados mostraram que mulheres na pós-menopausa apresentaram mais sintomas de ansiedade e depressão em comparação às que ainda não haviam passado pela transição. Elas também relataram maior procura por atendimento médico, incluindo clínicos gerais e psiquiatras, além de maior uso de antidepressivos.
Os distúrbios do sono também se mostraram mais frequentes após a menopausa. As participantes relataram mais casos de insônia, menor duração do sono e níveis mais elevados de fadiga.
Exames de imagem cerebral indicaram reduções significativas no volume da massa cinzenta após a menopausa. As áreas mais afetadas foram regiões essenciais para aprendizagem e memória, como o hipocampo e o córtex entorrinal, além do córtex cingulado anterior, ligado à regulação emocional e à atenção. De acordo com os pesquisadores, essas mesmas regiões costumam ser atingidas precocemente na doença de Alzheimer, o que pode ajudar a explicar a maior prevalência de demência entre mulheres.
A equipe também avaliou os efeitos da terapia de reposição hormonal. Os dados indicaram que a TRH não impediu a redução da massa cinzenta observada após a menopausa. Mulheres que utilizavam a terapia apresentaram níveis mais altos de ansiedade e depressão em comparação com as que nunca fizeram uso do tratamento. No entanto, análises adicionais sugerem que esses sintomas já estavam presentes antes do início da terapia, o que indica que a medicação provavelmente não foi a causa dos quadros psicológicos.
Um possível benefício identificado foi na velocidade psicomotora, que envolve o tempo de reação e a rapidez no processamento mental. Mulheres na pós-menopausa que nunca usaram TRH apresentaram tempos de reação mais lentos do que aquelas na pré-menopausa e as que fizeram uso da terapia. Segundo o estudo, isso sugere que a TRH pode ajudar a retardar o declínio da velocidade psicomotora associado à menopausa.
Apesar dos achados, os pesquisadores ressaltam que ainda há incertezas sobre os efeitos da terapia hormonal. Estudos anteriores apresentam resultados divergentes quanto ao risco de demência, com alguns apontando aumento e outros indicando possível redução do risco. Também não há consenso sobre a melhor dose ou via de administração.
Um dado adicional mostrou que, mesmo utilizando a dose máxima licenciada, uma em cada quatro mulheres ainda apresentava níveis baixos de estradiol, abaixo da faixa considerada ideal para aliviar os sintomas da menopausa. Isso sugere que parte das usuárias pode não estar recebendo benefício hormonal pleno.
Diante das incertezas, os autores destacam a importância de novas pesquisas para esclarecer os impactos da TRH na saúde cerebral e no risco de demência. Enquanto isso, evidências apontam que hábitos de vida saudáveis podem ajudar a proteger o cérebro durante e após a menopausa.
Entre as recomendações estão a prática regular de atividade física, a manutenção de uma dieta equilibrada, o sono de qualidade, o engajamento em atividades cognitivamente desafiadoras, como aprender um novo idioma ou jogar xadrez, e a manutenção de vínculos sociais fortes. Pesquisas indicam que o exercício físico, por exemplo, pode aumentar o tamanho do hipocampo, ajudando a compensar parte das reduções associadas à menopausa.
Para os especialistas, embora a menopausa seja uma fase natural da vida, compreender seus impactos no cérebro e na saúde mental é essencial para desenvolver estratégias de prevenção e cuidado que garantam melhor qualidade de vida às mulheres.
Com informações do G1

Comentários
Neal Adams
July 21, 2022 at 8:24 pmGeeza show off show off pick your nose and blow off the BBC lavatory a blinding shot cack spend a penny bugger all mate brolly.
ReplyJim Séchen
July 21, 2022 at 10:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
ReplyJustin Case
July 21, 2022 at 17:44 pmThe little rotter my good sir faff about Charles bamboozled I such a fibber tomfoolery at public school.
Reply